Gisele Bündchen surpreendeu ao revelar uma mudança radical em suas prioridades profissionais. Em entrevista à revista britânica i-D, publicada esta semana, a supermodelo de 46 anos confessou que recusa 99% dos trabalhos que recebe para dedicar-se aos três filhos. A decisão marca um contraste impressionante com sua trajetória anterior, quando acumulou cerca de 1.200 capas de revistas e liderou a lista das modelos mais bem pagas da Forbes durante 12 anos consecutivos.
Da “corrida desenfreada” à vida familiar
Gisele deixou o Brasil aos 15 anos para construir uma carreira internacional que a transformaria em uma das mulheres mais influentes do mundo. Durante décadas, trabalhou de forma obsessiva para manter-se no topo do mercado da moda. “Entrei na roda de ratos logo no início dos meus 20. Ganhei o prêmio de Modelo do Ano aos 19. Trabalhei tanto, desde os 14, para chegar àquele patamar, que sentia que não podia dizer não [a grandes trabalhos]. Mesmo não indo às festas, trabalhava 360 dias por ano”, relembrou na entrevista.
Hoje, essa realidade é completamente diferente. A supermodelo é mãe de Benjamin, 16 anos, e Vivian, 13, com o ex-marido Tom Brady, e de River, um ano, do casamento atual com o instrutor de jiu-jitsu Joaquim Valente. Ela justifica suas recusas aos projetos com simplicidade: “Vou perder o jogo de vôlei da minha filha? Vou deixar de ir ao parque com meu filho? Vou perder meu filho tocando como DJ?”.
Uma vida sem urgências
A vida atual de Gisele na Flórida reflete essa nova filosofia. Ela revelou que mal consulta o próprio celular e que o aparelho raramente toca. “Não tem despertador. Ele nunca toca. É libertador”, comentou enquanto mostrava vídeos dos filhos à jornalista. Pequenos momentos com as crianças parecem ter ganhado dimensão especial em sua vida: compartilhou um vídeo do filho River ajudando a limpar o parque com papel-toalha aos 16 meses, demonstrando como até as atividades simples viraram experiências significativas.
O novo conceito de sucesso
A transformação de Gisele vai além da agenda profissional. Na entrevista, ela refletiu sobre como sua definição de sucesso evoluiu completamente. “O que é sucesso? Alguns dizem que sucesso é poder, dinheiro, fama, e mais. Outros dizem que sucesso é poder passar tempo com os filhos, ter comida na mesa, ter uma casa para morar, ter ótimos relacionamentos e realmente aproveitar cada dia”, questionou.
Ter um bebê nesta fase da vida, segundo ela, é uma perspectiva privilegiada. “Não tenho nada a provar. Não sou definida pela opinião dos outros. Sinto que posso escolher como quero viver minha vida”, afirmou. A maternidade, sob esse novo prisma, ofereceu oportunidades que não teria reconhecido em seu auge profissional: “Os filhos nos dão essa oportunidade de viver novamente, de estar mais presentes e de experimentar a vida de outra forma.”
Um balanço de vida
Apesar de recusar trabalhos, Gisele não demonstra arrependimento sobre sua carreira anterior. Reconhece a trajetória como aprendizado valioso: “Vivenciei aquela corrida desenfreada… Vivi momentos maravilhosos. Aproveitei tudo, mantive-me firme, aprendi e cresci com as experiências. Foi uma bênção.”
Seu objetivo agora é claro e desvinculado do reconhecimento externo: “Não me importo com a forma como as pessoas me veem. Quero olhar para trás e pensar: eu realmente aproveitei essa jornada. Amei intensamente. Vivi cada emoção. Tive relacionamentos significativos. Quero que meus filhos sintam que fui uma ótima mãe e que os ajudei a se tornarem a melhor versão de si mesmos.”
A história de Gisele Bündchen funciona como um retrato de como prioridades podem se reorganizar, especialmente quando a vida oferece novas perspectivas. De alguém que trabalhou 360 dias por ano para ser a melhor em sua profissão, tornou-se uma mulher que deliberadamente desliga o celular para estar presente com os filhos.