A Provo Canyon School, internato em Utah onde Paris Hilton alegou sofrer abusos na adolescência, terá sua licença revogada. A decisão foi comunicada pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos de Utah (DHHS) na segunda-feira, 7 de julho, determinando que todos os serviços no campus de Springville sejam encerrados até 6 de agosto.
Uma vitória após décadas de silêncio
Em comunicado à Rolling Stone, Paris Hilton celebrou a revogação como um marco importante para as vítimas. “Por mais de cinquenta anos, crianças relataram casos de abuso, negligência e trauma. Hoje, o estado confirmou o que os sobreviventes já sabiam: a Provo Canyon School falhou com as crianças sob seus cuidados”, afirmou.
A socialite, que completou 45 anos, relembrou seu próprio sofrimento: “Eu era uma dessas crianças. Sei o que é clamar por ajuda e acreditar que ninguém virá. Hoje, as crianças que ainda estão naquela instituição sabem que finalmente alguém virá protegê-las.”
Violações crônicas e contínuas
O DHHS citou múltiplas violações nas normas de funcionamento, incluindo “o uso de contenção física desnecessária e contato físico agressivo” com residentes e “a falha em garantir que cada residente tenha o direito de estar livre de possíveis danos ou atos de violência”. A administração da escola tem 15 dias para solicitar uma audiência sobre a decisão.
Em resposta, a Provo Canyon School afirmou que discorda da revogação e está avaliando “todas as opções legais e administrativas disponíveis, incluindo um recurso”. O comunicado ressaltou que o campus de Springville nunca havia enfrentado processo de revogação desde sua inauguração.
As acusações de Hilton
Paris Hilton documentou suas experiências no filme de 2020 “A Verdadeira História de Paris Hilton”. Segundo ela, foi enviada para a escola em meados da década de 1990 porque seus pais acreditavam que suas festas estavam fora de controle. Na instituição, alegou ter sido espancada, colocada em confinamento solitário por até 20 horas e forçada a tomar medicamentos desconhecidos.
Em 2021, Hilton discursou no Capitólio em defesa de uma declaração de direitos para adolescentes em tais instituições. “Na Provo Canyon School, em Utah, recebi roupas com um número na etiqueta. Eu não era mais eu mesma, eu era apenas a número 127”, revelou aos membros do Congresso, descrevendo confinamento de 11 meses sem luz solar e diversos episódios de agressão física.
Abuso sexual também investigado
Em artigo de opinião publicado no New York Times em 2022, Hilton fez acusações de abuso sexual contra funcionários da escola. Ela descreveu procedimentos médicos realizados por não-profissionais em horários irregulares. Esse mesmo ano, o jornal noticiou que a instituição enfrentava ação judicial com 49 pessoas acusando um ex-diretor médico de abuso sexual.
Além disso, a afiliada da ABC em Springville (KTVX) reportou que a escola enfrentou sanções de emergência em maio após descoberta de atraso em tratamento médico de uma paciente de 13 anos, cujo caso resultou em processo judicial alegando complicação renal após nove dias sem atendimento adequado.
Histórico institucional
A Universal Health Services, empresa controladora anterior da escola, pagou US$ 117 milhões em 2000 para resolver supostas violações da Lei de Reclamações Falsas. O proprietário da instituição foi alterado naquele mesmo ano, segundo comunicado divulgado pela escola em 2020 em resposta às alegações de Hilton.
Validação e esperança
Paris Hilton comemorou a decisão também no Instagram: “Embora nada possa apagar o trauma que muitos de nós sofremos, hoje é um passo importante para proteger as futuras gerações”. Ela agradeceu sobreviventes, defensores e todos que acreditaram nas vítimas.
Na declaração final à Rolling Stone, Hilton sublinhou o significado pessoal da vitória: “A menina dentro de mim, a quem disseram que nunca seria acreditada, sente-se tão validada hoje. Estávamos dizendo a verdade. Sempre estivemos. Nenhuma instituição é tão poderosa a ponto de não poder ser responsabilizada. Quando as sobreviventes se recusam a permanecer em silêncio, a mudança é possível.”
Fonte: Rolling Stone Brasil