Sandra Bullock quebrou o silêncio sobre um dos períodos mais difíceis de sua vida. Em participação no podcast SmartLess, comandado por Jason Bateman, Will Arnett e Sean Hayes, a atriz falou abertamente sobre como seus filhos, Louis (16) e Laila (12), lidaram com a esclerose lateral amiotrófica (ELA) diagnosticada em Bryan Randall, seu companheiro desde 2015.
Uma doença impossível de esconder
Randall, fotógrafo que conheceu Sandra quando foi contratado para registrar o aniversário de Louis, faleceu em 5 de agosto de 2023, aos 57 anos, três anos após receber o diagnóstico. Embora a família tenha mantido a situação longe dos holofotes inicialmente, a convivência diária tornava a realidade inevitável.
“Eles estavam completamente cientes. Absolutamente cientes, porque, quando existe uma situação em que você fica acamado, todos nós precisamos chegar a esse ponto”, explicou Bullock no podcast. A atriz reconheceu que, mesmo tentando organizar tudo o que podia, as mudanças físicas e comportamentais causadas pela doença eram visíveis. “Isso acontecia na minha casa, e eu fiz o possível para organizar tudo o que podia. Tenho sorte de ter tido condições de pagar por isso”, refletiu.
Segundo Bullock, seus filhos não apenas perceberam as mudanças no corpo de Randall. “Eles podiam ver. Eles têm olhos. E são crianças muito, muito perspicazes. Muito perspicazes, porque não percebem apenas a mudança física; há também uma mudança de comportamento em todos nós”, pontuou.
Caminhos diferentes para lidar com a situação
A maneira como Louis e Laila enfrentaram a doença do fotógrafo foi distinta. Bullock abordava o assunto conforme as crianças faziam perguntas ou percebiam mudanças, tentando sempre compreender como cada um gostaria de lidar com aquilo.
Louis, o filho mais velho, foi o primeiro a se afastar. “Cerca de dois anos antes de Bryan morrer, ele percebeu que aquela era uma dinâmica que não era saudável para ele estar por perto”, revelou a atriz. No entanto, ele decidiu permanecer ao lado da mãe, com uma maturidade que tocou Bullock profundamente. “Então, ele é muito maduro. Ele dizia: ‘Sabe de uma coisa? Estou aqui para você'”, lembrou.
A atriz admitiu ter sentido culpa por aceitar apoio dele naquele momento. “Eu não queria que ele se tornasse o homem da família naquela idade. Meu trabalho era ser os dois naquele momento. Eu queria que ele fosse uma criança durante uma pandemia, quando tudo já estava uma m*rda e as pessoas estavam sofrendo em todos os lugares”, desabafou Bullock. Mesmo assim, Louis escolheu ajudar nos pontos que conseguia, mas foi sábio ao se afastar quando percebeu que precisava de espaço: “Mas ele escolheu simplesmente estar presente, me apoiar e me ajudar nas coisas que eram fáceis para ele. Só que, sabiamente, ele se afastou e disse: ‘Este é um espaço mais seguro para eu ficar'”.
A decisão de Laila
Laila, a filha mais jovem, conseguiu permanecer próxima de Randall por mais tempo. “Laila, por outro lado, ficou mais próxima até cerca de seis meses antes [da morte dele]. Então, ela disse: ‘Você pode, por favor, dizer não quando me chamarem para ir visitá-lo?'”, contou Bullock.
A atriz respeitou o desejo da filha de forma sensível, oferecendo suporte incondicional. “E eu disse: ‘Claro’. E falei: ‘Mas, se você quiser ir visitá-lo, eu vou com você e estarei bem ali. E, se você não aguentar mais, eu estarei bem ali'”.
Para facilitar essa dinâmica, Bullock passou a usar uma área diferente da casa quando os filhos não se sentiam confortáveis em visitar Randall, criando uma separação física que respeitava os limites emocionais de cada um.
Uma fase traumática encerrada
Após três anos em silêncio, Sandra finalmente abriu-se sobre esse período traumático de sua vida. Sua disposição em falar sobre como seus filhos navigaram essa experiência oferece um vislumbre de como uma família enfrenta juntos uma doença degenerativa, cada membro encontrando seu próprio caminho para lidar com a perda iminente.