Um casarão feito de histórias e investimentos
Aos 93 anos, Ary Fontoura abriu as portas de seu casarão no Rio de Janeiro durante uma visita de Eliana para o programa Em Família com Eliana, exibido no domingo, 23 de agosto. O veterano apresentou ambientes pouco conhecidos da propriedade e, mais importante, revelou como a residência foi sendo construída ao longo de suas nove décadas de vida.
A configuração atual da mansão não nasceu de um único projeto arquitetônico. Conforme a reportagem do Caras Brasil, sempre que o dinheiro sobrava durante sua carreira, Ary acrescentava um novo espaço à propriedade. “A minha casa tem várias histórias. É uma casa que foi feita aos poucos, sempre que o dinheiro sobrava, eu construía mais um quarto, uma sala”, contou o ator durante o programa.
Arquitetura que reflete uma vida inteira
Por essa razão, o veterano não identifica a mansão com um único estilo. Para Ary, a mistura de épocas encontrada nos ambientes é justamente o reflexo das diferentes fases pelas quais a residência e sua própria vida passaram. “Ela não tem estilo, ela tem todos os tempos dentro dela. Ela é igualzinha à minha cabeça. E a minha cabeça gosta de novidades. Eu sou aquariano!”, brincou durante a visita.
A propriedade chama atenção pelo tamanho e pela variedade de espaços. Entre os ambientes apresentados estão um grande jardim, academia e piscina coberta, além de outros cômodos que fazem parte da rotina do ator. A área externa reforça o contato com a natureza dentro do endereço carioca, enquanto a piscina coberta permite utilizar a estrutura de lazer de forma mais protegida — um detalhe que mostra como a casa também foi adaptada às necessidades do artista conforme o tempo passava.
Surpresa de Flávia Alessandra
A visita de Eliana ganhou um momento especial quando Flávia Alessandra, amiga de longa data de Ary Fontoura, chegou inesperadamente durante as gravações. A atriz falou sobre o vínculo que mantém com o veterano: “Eu sou muito apaixonada pelo Ary, ele sabe disso. É uma paixão que ambos mantêm”.
Flávia ainda ressaltou a personalidade do ator e sua capacidade de manter vivas histórias após tantas décadas de carreira. “É aquela pessoa que você quer estar perto, que você quer ouvir as histórias, porque ele tem sempre uma história maravilhosa para te contar”, afirmou.
Seis décadas de trajetória marcante
A mansão que Ary construiu aos poucos é um reflexo de uma carreira igualmente sólida. Nascido em Curitiba, no Paraná, o ator abandonou a faculdade de Direito no último ano para seguir a vida artística. Começou ainda jovem no teatro e no rádio, passou pelo circo e chegou a dirigir teledramaturgia na TV Paraná antes de se mudar para o Rio de Janeiro em 1964.
Na Globo, sua estreia aconteceu na década de 1960, com a série Rua da Matriz, seguida pela novela Passo dos Ventos em 1968. A partir daí, acumulou papéis importantes em diferentes fases da teledramaturgia brasileira. Entre seus personagens mais memoráveis está Aristóbulo Camargo, de Saramandaia (1976), o professor que se transformava em lobisomem nas noites de lua cheia.
As décadas seguintes consolidaram seu lugar como um dos veteranos mais reconhecidos da TV brasileira. Passou por clássicos como Guerra dos Sexos, Roque Santeiro, Tieta, A Favorita, Amor à Vida e A Dona do Pedaço. Ainda em atividade, em 2023, aos 90 anos, voltou às novelas como Seu Lampião em Fuzuê.
Sua carreira nunca ficou restrita à televisão. Ary também acumulou trabalhos em humorísticos, seriados e programas especiais, além de uma extensa trajetória no teatro e no cinema, com participação em mais de 20 filmes e 40 peças teatrais. No palco, recebeu duas vezes o Troféu Mambembe de melhor ator, em 1983 e 1986.