O afastamento que começou em 2016
Gaya Piovesan, filha do veterano ator Stênio Garcia, desabafou sobre o distanciamento que marca sua relação com o pai. De acordo com entrevista concedida ao jornal Extra, o afastamento intensificou-se após 2016, quando Stênio contraiu caxumba e perdeu parte da audição. “Desde que meu pai contraiu caxumba, em 2016, e perdeu parte da audição, a gente passou a depender da esposa dele para fazer contato. Começamos a ter dificuldades, até para saber sobre a saúde dele”, revelou Gaya.
A filha explicou que, a partir daquele momento, as comunicações passaram a ser mediadas pela esposa de Stênio, Marilene Saad, criando barreiras que se intensificaram ao longo dos anos. Gaya afirmou que foi impedida de ver o ator pessoalmente sob a alegação de questões de saúde.
O imbróglio do apartamento em Ipanema
No centro da disputa judicial está um apartamento em Ipanema, Zona Sul do Rio de Janeiro, avaliado em cerca de R$ 2 milhões. Gaya e a irmã Cássia, juntamente com a mãe delas, Clarice Piovesan, alugaram o imóvel por cinco anos. Stênio argumenta que as filhas alugaram um apartamento do qual ele tinha usufruto, configurando irregularidade.
A versão de Gaya difere. Segundo ela, o aluguel foi necessário porque a mãe enfrentava problemas de mobilidade e o apartamento original — que não possuía elevador — tornava-se inacessível. “Minha mãe sempre morou neste imóvel, mas ela está passando por um problema de saúde, de mobilidade, com o joelho, e precisava de um imóvel com elevador. Esse prédio do apartamento em questão, não tem. A escada é em formato caracol”, explicou.
Gaya enfatizou que Stênio conhecia o inquilino e que não havia lucro na transação. “Meu pai sabia, e a pessoa que alugava era até conhecida dele. Não sabíamos sobre a questão de usufruto impedir o aluguel, e como tinha ainda essa proximidade com o inquilino, não tivemos malícia. Assim como também não existia lucro nesta transação. Era apenas para bancar outro imóvel”, detalhou.
Quando o conflito escalou
O processo movido por Stênio chegou em outubro de 2025. Inicialmente, o ator alegava que a disputa era contra a ex-companheira, mas o discurso mudou ao longo dos meses. Nos autos processuais, Stênio citou dificuldades financeiras e abandono afetivo.
Antes disso, em 2023, as cobranças começaram. “Em 2023, a gente começa a receber ligações da esposa dele (Marilene Saad) com cobranças. Minha mãe voltou para este apartamento para evitar brigas”, contou Gaya. Tentativas de diálogo foram bloqueadas: “Com as ligações de cobrança em 2023, propomos: Vamos sentar e conversar sobre a situação da mamãe?. Vieram as recusas. A esposa do meu pai sempre dizia que por saúde, ele poderia passar mal. Era para conversarmos apenas com advogados”.
A confissão sincera: o desejo de reencontro
Apesar do embate legal, Gaya fez uma confissão que revela a complexidade emocional da situação. Ela admitiu que ainda deseja reencontrar o pai pessoalmente, algo que não consegue há anos. “Muito difícil. Mas queria encontrar meu pai. A gente pede por isso o tempo todo e não conseguimos. Por que transformaram em uma guerra? Por que insistem nesse discurso? Não tenho raiva do meu pai, mas também dá pena ver essas falas”, disse.
Gaya também lamentou a forma como o processo construiu uma narrativa de ingratidão. “Os próprios autos do processo criam uma narrativa de que somos filhas ingratas. É triste ver acusações caluniosas”, concluiu.
A resposta de Stênio sobre sanidade
Na semana anterior à entrevista de Gaya, Stênio respondeu a acusações relacionadas à sua capacidade mental. Em vídeo publicado nas redes sociais, o veterano de 94 anos garantiu estar ativo e questionou o discurso sobre sua sanidade. “Não admito que pessoas venham afirmar que eu não estou cumprindo a sanidade mental. Tá aí! Estou aqui! Eu, Stênio Garcia Faro, presente!”, declarou o ator, afirmando que continua trabalhando e tomando suas próprias decisões.