Tapas e Beijos foi mais que um seriado de humor. Entre 2011 e 2015, a série cômica da Globo se consolidou como um marco da teledramaturgia brasileira, conquistando gerações com as confusões de Sueli (Andréa Beltrão) e Fátima (Fernanda Torres) em Copacabana. Mas enquanto os fãs celebram a obra até hoje, a trajetória da produção também carrega o peso da perda: quatro grandes nomes de seu elenco já se foram, deixando um legado inestimável na cultura nacional.
Yoná Magalhães: a mãe que conquistou gerações
Yoná Magalhães foi uma das pioneiras e maiores musas da teledramaturgia brasileira. Em Tapas e Beijos, ela brilhou no papel de Dona Leda, mãe de Fátima, uma mulher de personalidade forte e colecionadora de maridos que visitava a filha no Rio e provocava as mais diversas confusões — especialmente ao alfinetear a filha por não conseguir firmar casamento.
Sua carreira, porém, transcendia a série. Yoná marcou época na primeira versão de Irmãos Coragem (1970) e participou de clássicos como Roque Santeiro (1985), Tieta (1989) e A Próxima Vítima (1995). Seu último papel de destaque foi em Sangue Bom, em 2013. Faleceu em 20 de outubro de 2015, aos 80 anos, no Rio de Janeiro, em decorrência de complicações após uma cirurgia cardíaca.
Luiz Carlos Miele: o boêmio das artes
Como Giusepe, o pai malandro e conquistador de Armane (Vladimir Brichta), Luiz Carlos Miele roubava cenas com seu carisma natural. Sua presença abalava a rotina do filho e divertia o público com suas atrapalhadas típicas de um personagem boêmio.
Mas Miele era muito mais que ator e humorista. Foi uma das figuras mais completas da cultura nacional: consagrou-se como um dos maiores produtores musicais do país e peça fundamental no desenvolvimento da Bossa Nova nos anos 60, trabalhando ao lado de lendas como Elis Regina, Roberto Carlos e Wilson Simonal. Morreu subitamente em sua residência na Gávea, Rio de Janeiro, em 14 de outubro de 2015, aos 77 anos, vítima de um infarto fulminante.
Daisy Lúcidi: seis décadas de dedicação
Na série, Daisy Lúcidi interpretou Dona Amélia, a mãe protetora e marcante do dentista PC (Daniel Boaventura). Seus momentos engraçados — e até conflituosos — envolvendo o relacionamento do filho com Sueli e depois com Fátima fizeram parte dos highlights da produção.
Daisy possuía uma trajetória brilhante de mais de seis décadas no rádio e na televisão brasileira. Foi voz de radionovelas de sucesso na Rádio Nacional e comandou por anos o programa Alô Daisy. Na TV Globo, integrou elencos de produções marcantes como Paraíso Tropical (2007) e Passione (2010), onde interpretou a vilã Valentina. Além disso, teve forte atuação na política fluminense, exercendo mandatos como vereadora e deputada estadual. Faleceu em 7 de maio de 2020, aos 90 anos, após contrair e sofrer complicações da Covid-19.
Flávio Migliaccio: o conselheiro da lanchonete
Como Seu Chalita, o dono carismático, ranzinza e adorável da lanchonete Rei do Beirute, Flávio Migliaccio era uma espécie de conselheiro e porto seguro para todos os personagens centrais. O restaurante árabe era ponto de encontro diário, onde comiam e tomavam chope enquanto resolviam seus dilemas.
Flávio era um dos atores mais amados e respeitados do Brasil, com uma carreira monumental no cinema, teatro e televisão. Ficou eternizado na cultura pop pelo papel do Xerife no seriado Shazan, Xerife e Cia., nos anos 70. No cinema, foi expoente do Cinema Novo com Os Cafajestes (1962). Na TV, acumulou dezenas de papéis inesquecíveis, como o Vitinho de A Próxima Vítima (1995) e o Mamede de Órfãos da Terra (2019), seu último trabalho em novelas.
Flávio faleceu em 4 de maio de 2020, aos 85 anos, em circunstância trágica.
Um legado que permanece
A partida desses quatro nomes marca não apenas a história de Tapas e Beijos, mas um capítulo inteiro da televisão brasileira. Cada um deles deixou impressões indeléveis em gerações de telespectadores e contribuiu significativamente para a formação da cultura audiovisual do país. Suas atuações continuam vivas nas memórias dos fãs e nas reprises que ainda conquistam novos públicos.
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