De volta à TV aberta após três anos longe das novelas, Thiago Lacerda finalmente quebrou o silêncio sobre seu afastamento. Em entrevista ao Estadão, publicada no Hugo Gloss, o ator revelou que a pausa não foi uma ruptura planejada, mas resultado natural de uma transição profissional focada em outros caminhos.
Um afastamento natural e circunstancial
Aos 48 anos, Lacerda retorna à Globo como Gabriel, protagonista de “Por Você”, novela das 19h que estreou em 17 de agosto. Segundo o ator, o período distante da televisão serviu para experimentar novas possibilidades e repensar os rumos da carreira. “Um afastamento importante, natural, circunstancial. Eu começo a minha carreira na televisão. Eu conto história na televisão há muitos anos. Faz parte da minha natureza intencionar contar histórias na televisão”, afirmou.
Para Lacerda, a interrupção do vínculo com a TV teve significado simbólico profundo. “Foi um período de maturação, mas num lugar muito saudável, muito bonito. O que faz mudar a percepção é a interrupção do meu vínculo com a TV. É, simbolicamente, algo muito significativo”, disse.
Teatro, streaming e reconexão com o público
Durante esses três anos, o ator ampliou sua atuação em outras plataformas. Nos palcos, integrou produções como “A Peste”, de Albert Camus, e “Quem Está Aí? Monólogos de Shakespeare”. Na HBO Max, participou da minissérie “Ângela Diniz: Assassinada e Condenada”, ao lado de Marjorie Estiano.
“O foco foi muito contundente pro meu trabalho com o teatro, pro meu projeto com os monólogos. A minha relação com o streaming, com o trabalho pro audiovisual fora da TV também acabou acontecendo de jeito contundente”, contou Lacerda. O ator ressaltou que, nos últimos meses, começou a ouvir com frequência do público quando retornaria à televisão. “As pessoas começaram a me perguntar de fato, com muita frequência: ‘E aí, quando é que você volta? Cadê, e aí?’. Parece que, às vezes, as pessoas ficam ali meio contando o tempo para se reencontrar com a gente de alguma forma”, relatou.
Gabriel, paternidade e reflexão pessoal
O personagem que marca seu retorno carrega uma história densa: Gabriel é um homem que foi abandonado pelos pais e cresceu em uma casa de acolhimento. Na trama, mantém uma relação próxima com a filha Leandra, interpretada por Giovana Grigio. Essa construção afetou o próprio Lacerda, levando-o a refletir sobre sua vida pessoal.
“Trazer essa perspectiva pra relação com a filha em cena é, de muitas maneiras, revisitar a minha maneira de me relacionar com os meus filhos, a maneira de repensar a paternidade”, afirmou. Lacerda é pai de Gael, 18, Cora, 16, e Pilar, 11, filhos do casamento com Vanessa Lóes.
Na novela, Gabriel também reencontra Bela, vivida por Sheron Menezzes, anos depois de um relacionamento na juventude. Para o ator, a história permite explorar o impacto das escolhas passadas e as transformações trazidas pelo tempo. “Investigar essa ideia do que poderia ter sido, se as escolhas tivessem sido outras, se a vida tivesse caminhado por outros caminhos. E também a ideia do que acontece depois que essas duas pessoas se reencontram depois da vida ter trazido tanta coisa pra cada um deles”, explicou.
A estética de Manoel Carlos e o abandono do rótulo de galã
Lacerda elogiou o tom da novela, destacando a influência de uma estética que remete às tramas de Manoel Carlos. O ator trabalhou com o autor em “Páginas da Vida” (2006) e “Viver a Vida” (2009). “A novelinha está linda, estou de fato com uma expectativa muito boa sobre a novela. Eu tenho adorado, o texto é ótimo, os personagens são interessantes, a novela tem um frescor, tem uma carioquice, uma memória do Manoel Carlos estou matando um pouco a saudade do Maneco”, afirmou.
Com quase 30 anos de carreira, Lacerda também refletiu sobre a imagem de galã que o acompanha desde o início. Para ele, o rótulo nunca foi determinante na escolha de personagens. “Eu nunca topei ou recusei um personagem porque ele era ou não era o mocinho, ou o galã, ou o herói. Sempre o que me interessou era o que havia de humano pra comunicar naquilo”, declarou.
O ator deixou claro que não se preocupa com classificações atuais. “Se eu sou galã, se eu sou um ex-galã, se eu sou um galã maduro, se eu sou um galã a caminho de deixar de ser, isso nunca me interessou muito”, afirmou. Para Lacerda, o que permanece como combustível profissional é o desafio constante. “O que me desafia é sempre o próximo personagem. É sempre o frio na barriga. Como é que eu alcanço isso? Eu realmente tenho ferramentas que me podem levar para esse lugar? Será que eu consigo, que as pessoas vão compreender, curtir? Isso é o que sempre me motiva, sempre me convoca”, completou.
Fonte: Hugo Gloss