George Lucas, aos 82 anos, transformou sua relação com o trabalho ao criar o Skywalker Ranch, uma fazenda-complexo cinematográfico que une lazer e produção audiovisual no interior da Califórnia. Segundo a Caras Brasil, o diretor construiu um patrimônio estimado em US$ 5,2 bilhões através de filmes e produtos licenciados, consolidando sua aposentadoria da produção cinematográfica em um ambiente que reflete décadas de sucesso em Hollywood.
A propriedade gigante no Condado de Marin
Comprada em 1978 durante o auge de Star Wars, a fazenda que antes era uma propriedade de laticínios foi completamente transformada. O Skywalker Ranch ocupa 1.900 hectares e funciona como uma pequena cidade privada, com 14 edifícios, incluindo uma casa vitoriana de 1885 e a sede da Skywalker Sound, a instalação de pós-produção de Lucas.
A estrutura do complexo impressiona por sua diversidade. Funciona como um espaço de trabalho com três restaurantes, uma pousada, academia, cinema próprio, horta orgânica e criação de animais – cavalos, cabras, galinhas e gado circulam pela propriedade. O local também conta com um lago batizado de Ewok, referência ao universo Star Wars, e um vinhedo cujas uvas eram transformadas em vinho na propriedade de Francis Ford Coppola, amigo e mentor de Lucas.
A biblioteca de 27 mil títulos e os 250 funcionários
Um dos destaques mais notáveis do Skywalker Ranch é sua biblioteca gigantesca. Lucas construiu o acervo comprando coleções da Paramount e Universal Studios, reunindo cerca de 27 mil títulos em um só lugar. A manutenção desse espaço requer estrutura específica: a fazenda emprega 250 funcionários, incluindo quatro bibliotecários dedicados apenas ao cuidado e organização dessa coleção.
O diretor sempre explicou sua preferência por trabalhar na propriedade de forma bem clara. “Sempre trabalhei em casa. Acho que muitos escritores fazem isso. É uma atmosfera muito mais amigável, mais confortável e tranquila. Eu queria um lugar agradável e silencioso para ter ideias, porque, na verdade, estamos no ramo das ideias”, afirmou ele ao site Architectural Digest.
O caminho até o patrimônio bilionário
O legado de Lucas no cinema vai muito além da fazenda. Criador da franquia Star Wars e fundador da Lucasfilm, ele revolucionou a indústria cinematográfica em múltiplas frentes. Começou na Nova Hollywood dos anos 1970 com filmes como THX 1138 (1971) e American Graffiti (1973), que com orçamento de menos de US$ 800 mil faturou mais de US$ 140 milhões e recebeu cinco indicações ao Oscar.
Em 1977, Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança mudou a cultura pop global. O filme se tornou a maior bilheteria da história até então e consolidou Lucas como um diretor capaz de criar fenômenos culturais. Posteriormente, expandiu o universo com a Trilogia Clássica e, décadas depois, retornou com a Trilogia Prequel (1999–2005).
As inovações tecnológicas que geraram riqueza
Além da direção, Lucas criou empresas tecnológicas que se tornaram pilares da indústria. A Industrial Light Magic (ILM), fundada em 1975, é a maior empresa de efeitos visuais do mundo. A Skywalker Sound revolucionou a qualidade de áudio em cinemas e pós-produção. E, talvez mais importante: a divisão de computação gráfica da Lucasfilm, vendida em 1986 para Steve Jobs, transformou-se na Pixar, estúdio legendário de animação.
Em parceria com Steven Spielberg, Lucas criou também a franquia Indiana Jones, iniciada em 1981 com Os Caçadores da Arca Perdida, expandindo ainda mais seu império de entretenimento.
A aposta que garantiu bilhões
A decisão financeira que consolidou a riqueza de Lucas ocorreu em 1977. Para fazer o primeiro Star Wars, ele abriu mão de um aumento em seu salário de diretor em troca de duas cláusulas no contrato com a 20th Century Fox: o controle total dos direitos de sequências e 100% dos direitos de merchandising. Essa escolha, à época considerada arriscada, tornou-se a base de um império de licenciamento que alimentou seu patrimônio ao longo de décadas.
Hoje, no Skywalker Ranch, Lucas aproveita os frutos dessa carreira revolucionária, trabalhando e relaxando em um espaço que é praticamente um museu vivo de suas próprias realizações no cinema.