Keith Richards pode ter dado um ultimato para os fãs dos Rolling Stones que esperavam por novas turnês da lendária banda britânica. Em entrevista à revista Uncut, o guitarrista de 82 anos foi direto: as turnês podem não acontecer mais, ponto final. A razão? O desgaste físico causado pelas longas e exaustivas viagens pelos palcos do mundo.
A encruzilhada das turnês
O cenário começou a se desenhar ainda em dezembro de 2024, quando a revista The Sun revelou que havia tensões internas entre os integrantes sobre o retorno às estradas. Na época, Richards foi apontado como o principal obstáculo para concretizar uma excursão planejada para 2025. À Associated Press, em maio deste ano, o músico já havia reconhecido que 2026 não seria o momento para turnês, deixando 2027 como uma possibilidade em aberto.
Mick Jagger, porém, mostrou-se mais otimista. Ao programa “Today”, o vocalista afirmou que ele e os colegas esperavam “fazer shows no ano que vem” – deixando transparecer, na época, esperança em 2027. Mas Richards voltou atrás agora.
“Não sei se turnês são possíveis”
A declaração mais recente de Richards, conforme relatado, é taxativa. “Não sei se turnês são possíveis. É a parte de viajar que acaba com você”, disse o guitarrista. A recusa não significa, porém, que os Rolling Stones deixarão de fazer apresentações completamente – apenas que o formato tradicional de turnês pode estar com os dias contados.
Em seu lugar, Richards propõe alternativas criativas. “Vejo a possibilidade de fazermos uma residência em algum lugar. Onde quer que seja: Londres, Nova York, Paris, qualquer lugar. Eu toco em Roma. Mas não vejo por que não poderíamos organizar alguns shows em um novo formato”, explicou o músico em declarações reproduzidas pela Rolling Stone.
Residências fixas em grandes capitais do mundo ganham força como solução. O conceito não é novo – Las Vegas consolidou esse modelo com artistas de peso –, mas aplicado aos Rolling Stones representaria uma mudança radical na forma como a banda interage com seu público global há décadas.
O intervalo prolongado
A última turnê dos Stones foi em 2024, pela América do Norte. Desde julho daquele ano, a banda permanece inativa nos palcos. Houve rumores sobre apresentações em Copacabana e uma excursão europeia no ano passado, mas nada saiu do papel. O silêncio é eloquente.
O álbum “Foreign Tongues” chega em julho
Apesar da indefinição sobre apresentações ao vivo, os Rolling Stones não desaparecerão dos holofotes tão cedo. A banda está prestes a lançar seu novo álbum de estúdio, intitulado “Foreign Tongues”, sucessor do aclamado “Hackney Diamonds” (2023). O disco chega em 10 de julho.
Andrew Watt assinou a produção do novo projeto. Jagger, Richards e Ronnie Wood contam novamente com a presença dos colaboradores de longa data: Darryl Jones no baixo, Matt Clifford nos teclados e Steve Jordan na bateria. Nas participações especiais, Paul McCartney retorna após aparecer em “Hackney Diamonds”. Também colaboram Steve Winwood, Robert Smith (The Cure) e Chad Smith (Red Hot Chili Peppers). Um trecho inédito do falecido baterista Charlie Watts completa o tracklist.
O que muda para os fãs
A declaração de Richards coloca em xeque as expectativas de uma geração inteira de fãs. Quem cresceu vendo os Stones em grandes festivais e estádios lotados pode precisar se adaptar à ideia de residências fixas ou simplesmente aceitar que o fim de uma era está próximo. A banda nasceu para as estradas – “I Can’t Get No Satisfaction” foi feita para ser tocada em turnês infinitas. O desgaste físico aos 82 anos de Keith Richards é real, inegável, mas marca o encerramento de um capítulo importante da história do rock.
Reste saber se Mick Jagger continuará pressionando por apresentações ou se renderá à proposta de Richards. Ou se, surpreendentemente, uma residência em Londres, Nova York ou Paris conseguirá capturar algo da magia das turnês que fizeram dos Rolling Stones a melhor banda de rock que existe.
Fonte: Igor Miranda