Uma amizade que atravessa décadas
Tony Iomli, fundador do Black Sabbath, abriu o jogo em recente entrevista ao revelar como Brian May, guitarrista do Queen, acabou participando de seu novo álbum solo From the Dark, que chega às plataformas em 23 de outubro. A colaboração acontece na faixa Death Wake, onde May toca um solo que complementa a proposta mais densa e sombria do projeto.
Segundo a Rolling Stone Brasil, Iommi deixou claro que a ideia não envolveu estratégia de marketing ou cálculo comercial. Trata-se, na verdade, da cumplicidade entre dois músicos que alimentam uma amizade que remonta aos anos 1970. “Eu gosto dessa faixa. Eu gosto de qualquer coisa doom. Claro, eu chamei o Brian May para tocar o solo nessa. A gente se fala o tempo todo”, contou o guitarrista do Sabbath.
Iomli ressaltou a longa história compartilhada com May. “No começo dos anos 1970, ele estava em um estúdio e eu em outro. E a gente se deu bem. Somos amigos há, meu Deus, quase 60 anos”, revelou o músico britânico. Além de tocarem juntos em estúdio, May e Iomli já dividiram o palco em algumas ocasiões anteriormente.
Um convite que poderia ter sido maior
O guitarrista do Black Sabbath confessou que tentou expandir a colaboração com May no álbum, mas o músico do Queen preferiu manter sua participação restrita à faixa Death Wake. “Eu até disse para ele: Você quer tocar em mais alguma coisa? E ele respondeu: Não, não. Seus solos são bons. Eu não preciso tocar”, contou Iomli, descrevendo a humildade de May mesmo diante de uma chance de aparecer em mais músicas.
Ainda assim, Iomli aprovou o trabalho realizado por May. Ele descreveu o processo: “Eu toquei para ele algumas coisas, e ele gravou aqui no estúdio da minha casa. Aí, claro, ele tocava algo e dizia: Ah, não sei… . E eu dizia: Eu gostei”. A gravação aconteceu no estúdio domiciliar de Tony Iomli, em um ambiente de total conforto e intimidade.
Uma participação única no disco
Apesar de Brian May ser uma figura icônica e sua participação uma notícia de peso dentro da indústria musical, Iomli fez questão de ressaltar que o guitarrista do Queen é a única participação especial em todo o álbum From the Dark. A escolha foi deliberada e alinhada à visão artística do projeto.
“Não (há outras participações especiais), porque eu queria manter basicamente como uma banda. Eu queria usar as mesmas pessoas”, explicou Iomli. A decisão preserva a identidade do trabalho como um projeto de banda, evitando um desfile de convidados que pudesse diluir a proposta musical central do álbum solo.
Essa seletividade reforça a importância que May tem para Iomli—não como um nome para preencher créditos, mas como um colaborador genuinamente significativo e alguém cujo trabalho ele realmente valoriza. A faixa Death Wake ganha ainda mais peso ao ser entendida como a única exceção em um projeto que privilegia a consistência e a unidade sonora.