Chris Brown subiu ao banco das testemunhas na quinta-feira em Van Nuys, Califórnia, e enfrentou perguntas sobre o dia em que uma funcionária de limpeza foi atacada por um enorme cão de segurança em sua mansão de Los Angeles, há quase cinco anos atrás. O caso civil envolvendo Maria Avila está em julgamento, e o próprio cantor, aos 37 anos, teve de descrever em detalhes a cena que diz tê-lo deixado “em choque”.
A descrição do ataque e os ferimentos
Durante quase três horas de depoimento, conforme reportagem da Rolling Stone Brasil, Chris Brown relatou o momento em que desceu as escadas após ouvir Hades, a raça rara Ovcharka da Ásia Central que ele afirma não ser o proprietário, rosnando. O cantor disse que encontrou Maria Avila no chão, aparentemente imóvel, e imediatamente prendeu o cão em um canil.
Quando questionado sobre as feridas no rosto da funcionária, Brown apontou para sua própria testa e passou o dedo pelo nariz e sob o olho direito para demonstrar a extensão das lacerações. “Estava cortado, tipo, separado. Eu sei que é gráfico, mas dava para ver a pele meio levantada. Você via o corte e o sangue saindo”, descreveu. O cantor reconheceu: “Foi muito sangue. O sangue meio que me assustou um pouco”.
A polêmica sobre não ligar para o 911
Um dos pontos mais criticados durante o depoimento foi a decisão de Chris Brown de não telefonar pessoalmente para o 911. Ele admitiu que evitou fazer a chamada por temer que a gravação vazasse e criasse um “circo” midiático. Em vez disso, o cantor deixou sua casa antes mesmo da chegada dos paramédicos, supostamente seguindo orientação de seu empresário.
A advogada de Maria Avila, Nancy Doumanian, questionou a lógica dessa atitude: “Qual seria o problema de você ficar lá e esperar os paramédicos chegarem, com uma mulher sangrando na sua garagem/entrada? Por que isso seria um problema para você, como celebridade?”. Brown respondeu citando sua reputação: “Por causa de como minha imagem é e sempre é usada. Eu não queria uma história distorcida, ou um circo, por causa do meu nível de exposição”.
Quando pressionado se não havia considerado que desaparecer do local prejudicaria ainda mais sua reputação, o cantor insistiu que “não fugiu”, embora tenha permanecido fora por algumas horas, incluindo uma parada em um posto de gasolina, até receber liberação para voltar.
Falta de auxílio imediato à vítima
Doumanian também pressionou Chris Brown sobre seu comportamento após encontrar Maria Avila ferida. A advogada perguntou se ele havia colocado uma toalha ou roupas sob a cabeça da vítima, oferecido água ou qualquer outro tipo de assistência. “Eu nunca toquei nela. Eu estava em choque”, respondeu Brown repetidamente.
Na versão de Maria Avila, apresentada em depoimento anterior em outubro de 2023, o cantor teria saído de casa, ficado em pé sobre ela enquanto falava ao telefone e depois abandonado o local enquanto ela continuava sangrando na entrada. A funcionária afirma ter sofrido danos permanentes, incluindo desfiguração no rosto, danos nos nervos e perda de visão após necessitar de cirurgia de emergência.
Negação de propriedade do cão e questão de aviso prévio
Brown alegou durante o julgamento que o cão Hades foi comprado por sua equipe de segurança, não por ele, buscando se isentar de responsabilidade direta. Também afirmou ter advertido Maria Avila e sua irmã sobre a presença de cães não amigáveis em sua propriedade, orientando-as a pedir permissão antes de sair.
Porém, conforme apontou Doumanian, as duas mulheres falavam espanhol, e se tal conversa ocorreu em inglês, elas possivelmente não compreenderiam as instruções. Além disso, as próprias vítimas negam que tal aviso tenha sido dado.
Responsabilidade reconhecida, mas indenização em disputa
Durante o processo de seleção do júri, que incluiu a anulação de um painel inicial devido a má conduta de jurados, o advogado de Chris Brown admitiu em tribunal que seu cliente concordava que Maria Avila tinha direito a alguma indenização. A disputa, portanto, resume-se à questão do valor a ser pago.
Vale destacar que o juiz já havia barrado perguntas sobre o incidente criminoso de 2009 envolvendo Rihanna, impedindo que esse histórico influenciasse as deliberações do júri atual.